Ramaya é artista visual, criador do Realismo Abstrato, colecionador e pesquisador da pintura. Nascido em Belo Horizonte, desenvolveu uma linguagem autoral que estabelece um diálogo entre a tradição dos grandes mestres e a arte contemporânea, unindo a precisão do realismo à liberdade da abstração. Inspirado especialmente por Vincent van Gogh e amparado por décadas de estudos em pintura, fotografia e composição da luz, construiu uma pesquisa dedicada a revelar a essência oculta da imagem. Em suas obras, cores, fragmentos e texturas transcendem a representação para expressar memória, emoção e identidade. Sua produção, apresentada em exposições institucionais no Brasil, Portugal, França, Espanha e Estados Unidos, consolida o Realismo Abstrato como sua principal contribuição à arte contemporânea. Como define o próprio artista: “O Realismo Abstrato transforma a realidade visível na verdade invisível que apenas a alma é capaz de reconhecer.”

“Não pinto para repetir aquilo que outros olhos já viram. Dialogo com o que veio antes para descobrir o que ainda pode nascer agora. Entre realidade, abstração e memória, minha pintura começa onde a imagem termina e permanece onde o olhar já não alcança.”

— Ramaya

REALISMO ABSTRATO

Uma linguagem artística criada por Ramaya

O Realismo Abstrato é uma linguagem artística contemporânea criada por Ramaya, fruto de uma pesquisa autoral sobre percepção, memória, identidade, presença e experiência estética. Situada entre o rigor do realismo e a liberdade da abstração, essa linguagem propõe uma nova forma de compreender a pintura: não apenas como representação do mundo visível, mas como investigação daquilo que permanece para além da aparência.

Em suas obras, a realidade deixa de ser um destino para tornar-se um ponto de partida. A figura pode permanecer reconhecível, mas é atravessada por fragmentações, campos cromáticos, gestos, silêncios, apagamentos, sobreposições e texturas que conduzem o olhar para regiões menos evidentes da imagem. O que interessa não é somente aquilo que está diante dos olhos, mas aquilo que uma imagem é capaz de despertar, conservar ou transformar dentro de quem a observa.

Distanciando-se das fronteiras tradicionais entre figurativo e abstrato, Ramaya estabelece um território pictórico próprio, no qual forma, matéria, emoção e memória coexistem. Sua pintura nasce de um processo contínuo de investigação visual, fundamentado no estudo da história da arte, da composição, da luz, da fotografia e do comportamento da cor. A experiência como fotógrafo profissional, aliada à pesquisa sobre os grandes mestres da pintura, contribui para uma obra na qual precisão estrutural e liberdade pictórica não se anulam, mas se tensionam e se completam.

No Realismo Abstrato, portanto, a abstração não destrói a realidade: ela acrescenta informação àquilo que a realidade, sozinha, não consegue dizer.

Mestres e Influências: uma pesquisa em permanente transformação

Essa investigação encontra sua expressão mais ampla no projeto Mestres e Influências, concebido como uma pesquisa permanente sobre imagem, história da arte, percepção e permanência.

Mais do que dialogar com os grandes mestres, Ramaya procura compreender os fundamentos que fizeram determinadas imagens atravessarem épocas e permanecerem culturalmente vivas. Cada pintura nasce, assim, de um processo de decodificação artística, no qual elementos estéticos, simbólicos, psicológicos e emocionais são reorganizados para produzir uma nova experiência visual.

Não se trata simplesmente de releitura, apropriação ou homenagem. Trata-se de compreender aquilo que uma imagem carregou através do tempo e perguntar o que ainda pode nascer dela.

Ao longo de seu desenvolvimento, Mestres e Influências passa a organizar-se em fases que não representam rupturas, mas diferentes níveis de aprofundamento de uma mesma investigação.


Movimento i · A Construção do Olhar

A Construção do Olhar constitui o primeiro grande alicerce dessa pesquisa.

Neste movimento, Ramaya investiga como os grandes mestres da história da arte construíram não apenas pinturas, mas formas de perceber o mundo. Cor, composição, luz, gesto, matéria e linguagem passam a ser compreendidos como estruturas capazes de modificar a percepção.

A questão deixa de ser somente o que esses mestres pintaram? e passa a ser: como eles nos ensinaram a olhar?

Mais do que uma homenagem às suas influências, essa etapa procura compreender como determinadas linguagens transformaram a maneira pela qual gerações inteiras passaram a enxergar o corpo, a paisagem, a sociedade, a beleza, o sofrimento, o cotidiano e a própria arte.

A pintura contemporânea torna-se, então, lugar de encontro entre herança e invenção. O passado não é reproduzido. É interrogado.


Movimento II · A Revelação da Personalidade Escondida

Neste segundo movimento, A Revelação da Personalidade Escondida , a investigação atravessa a superfície da representação.

Se anteriormente a questão estava concentrada na construção do olhar, agora a pintura procura revelar aquilo que esse olhar ainda não consegue perceber.

O personagem retratado deixa de ser apenas uma presença física e passa a constituir um território psicológico, simbólico e pictórico. Fragmentos, cores, referências, atmosferas e matéria passam a revelar dimensões que uma fotografia ou um retrato convencional não seriam capazes de registrar.

É nesse percurso que emerge a Consciência Pictórica: o momento em que a pintura deixa de apenas representar alguma coisa e passa também a refletir sobre sua própria existência, sua linguagem, sua materialidade e sua capacidade de produzir pensamento.

A obra investiga não somente quem está sendo retratado, mas aquilo que existe entre personagem, artista, pintura e observador.

A imagem começa a adquirir consciência de si.


Movimento III · O que permanece

O terceiro movimento de Mestres e Influências nasce como consequência natural desse percurso e representa um deslocamento decisivo na pesquisa de Ramaya.

Depois de investigar como aprendemos a olhar e o que existe para além da aparência, surge uma pergunta mais radical:

O que resta de uma imagem depois que esquecemos sua história?

Em O que permanece, a pintura passa a investigar a memória da própria imagem.

A biografia perde centralidade. A identidade do personagem deixa de constituir necessariamente o núcleo da obra. O rosto já não precisa ocupar o centro da composição e, em determinados trabalhos, pode desaparecer quase completamente.

O que permanece pode ser um gesto. Uma mão. Uma arquitetura. Um objeto. Uma sombra. Uma paisagem. Uma inscrição. Uma cor. Um fragmento aparentemente insignificante que, por alguma razão, sobrevive ao desaparecimento de todo o restante.

A imagem passa a ser tratada como um vestígio visual.

É nesse território que três forças fundamentais do Realismo Abstrato passam a operar simultaneamente:

REALIDADE
aquilo que reconhecemos.

ABSTRAÇÃO
aquilo que não conseguimos nomear.

MEMÓRIA
aquilo que conecta os dois.

A memória torna-se, assim, o terceiro território da pintura. Ela ocupa o intervalo entre reconhecimento e indeterminação, entre aquilo que ainda podemos identificar e aquilo que já começou a escapar.

Por isso, na Fase III, a abstração deixa definitivamente de funcionar como ornamento ou simples contraposição ao figurativo. Ela transforma-se em informação.

Texturas podem carregar tempo. Apagamentos podem significar esquecimento. Sobreposições podem sugerir diferentes épocas coexistindo. Vazios podem adquirir a mesma importância pictórica que as figuras. Fragmentos podem sobreviver enquanto o restante da imagem desaparece.

A pintura passa a operar como uma espécie de arqueologia da imagem.

Não procura reconstruir integralmente aquilo que existiu. Procura descobrir o que resistiu.

Quando o personagem deixa de ser o tema

Esse deslocamento produz uma transformação importante em Mestres e Influências.

Os grandes personagens, artistas e mestres continuam podendo fazer parte da pesquisa, mas deixam de ser uma condição para sua existência.

O Realismo Abstrato passa a poder investigar uma cadeira vazia, uma fotografia familiar, uma carta, uma paisagem, um edifício, um objeto cotidiano, uma pessoa desconhecida, uma fotografia encontrada, uma roupa, um quarto abandonado ou apenas um vestígio.

Porque, nesse estágio da pesquisa, o verdadeiro tema já não é necessariamente aquilo que foi retratado.

O verdadeiro tema é aquilo que permaneceu.

E aquilo que permanece quase sempre pertence à memória.

A imagem deixa, portanto, de funcionar apenas como representação de alguma coisa para tornar-se um campo onde tempos diferentes coexistem. Passado e presente deixam de obedecer a uma sequência cronológica e passam a habitar simultaneamente a superfície da pintura.

Nesse sentido, O que permanece amplia Mestres e Influências para além de uma investigação sobre personagens e referências da história da arte. O projeto passa a interrogar um fenômeno mais amplo e universal: por que algumas imagens sobrevivem dentro de nós enquanto tantas outras desaparecem?

Uma nova definição para o Realismo Abstrato

A chegada da memória como elemento estrutural amplia também a própria definição da linguagem criada por Ramaya.

Se anteriormente o Realismo Abstrato podia ser compreendido como o encontro entre a realidade reconhecível e aquilo que a abstração permite revelar, agora surge um terceiro campo, responsável por conectar essas duas dimensões.

Esse campo é a memória. Assim, a pesquisa alcança uma nova síntese:

“O Realismo Abstrato não representa apenas aquilo que vemos. Investiga aquilo que permanece em nós depois que deixamos de olhar.”

A pintura torna-se um território de permanência. Algo foi visto. Algo desapareceu. Algo, entretanto, ficou.

E talvez seja justamente esse resíduo, aquilo que sobrevive quando a narrativa, o nome, a biografia e até mesmo a imagem começam a desaparecer, que revele uma das forças mais profundas da experiência artística.

Mestres e Influências estabelece, assim, um percurso contínuo de movimentos:

Movimento I · A Construção do Olhar
Como aprendemos a ver?

Movimento II · A Revelação da Personalidade Escondida
O que existe além daquilo que vemos?

Movimento III · O que permanece
O que continua existindo em nós depois que deixamos de olhar?

O percurso parte do olhar, atravessa a consciência e alcança a memória.

É nesse deslocamento que Mestres e Influências deixa progressivamente de ser apenas um diálogo com aqueles que construíram a história da arte e passa a constituir uma investigação sobre a própria sobrevivência das imagens na cultura e na experiência humana. Uma pesquisa aberta, capaz de atravessar personagens, objetos, lugares, documentos, ausências e vestígios. Porque talvez uma imagem não permaneça por aquilo que mostra. Talvez permaneça justamente por aquilo que não conseguimos esquecer.

Como sintetiza Ramaya:

“Se antes eu pintava para revelar imagens, hoje sinto que pinto para acessar estados. E, nesse processo, descubro que a arte não é apenas aquilo que se vê… é aquilo que nos atravessa.”

E, com O que permanece, uma nova questão passa a acompanhar essa investigação:

“Toda imagem deixa um vestígio. Minha pintura começa justamente onde a imagem termina.”

Etiqueta NFC

Cada obra de Ramaya incorpora, de forma discreta e integrada à composição, uma etiqueta NFC que reúne todas as informações técnicas e conceituais do trabalho. Por meio desse selo digital, o colecionador tem acesso à catalogação completa da obra, texto curatorial, imagem em alta resolução, memorial descritivo, contexto biográfico do personagem retratado e ao relato do que motivou o artista em sua criação. A presença do NFC é sinalizada por uma marcação especial em tinta, posicionada próxima à assinatura do artista, estabelecendo um elo entre a materialidade da pintura e sua dimensão documental, narrativa e contemporânea.

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