Um mergulho íntimo na fonte da arte, onde passado e presente se encontram para revelar uma nova fase de criação e verdade interior.
Por Ramaya Vallias – Artista Plástico – Realismo Abstrato
Existe um momento silencioso na vida de um artista em que a arte deixa de ser apenas prática… e passa a ser encontro. Tenho vivido exatamente esse instante. Um mergulho cada vez mais profundo em algo que não se explica apenas com técnica, mas com presença, com escuta, com entrega. Meu amor pela arte tem crescido como um fogo calmo e constante, daqueles que não fazem alarde, mas transformam tudo ao redor.
Ao me aproximar dos grandes mestres da pintura, percebo que não se trata de olhar para o passado, mas de estabelecer um diálogo vivo. Há uma energia que atravessa o tempo, que pulsa nas obras, nas escolhas, nos gestos. Não é sobre copiar, nem repetir. É sobre sentir o que eles sentiram, tocar, à minha maneira, a mesma fonte que os alimentou. E essa fonte não está distante… ela está disponível, viva, esperando por quem se permite acessá-la.
A cada nova tela, sinto que essa conexão se fortalece. É como se cada pincelada carregasse não apenas a minha intenção, mas também ecos de uma história maior, de uma tradição que continua se reinventando através de nós. Minha pintura tem se tornado um espaço de encontro entre o que sou hoje e tudo aquilo que me formou, consciente ou inconscientemente. É um território onde o tempo se dissolve e só resta a intensidade do agora.
Confesso: estou profundamente envolvido, talvez até apaixonado por essa nova fase. Existe uma alegria quase íntima em perceber que estou bebendo da mesma fonte que tantos gênios beberam, não para ser como eles, mas para ser ainda mais eu. E talvez seja esse o maior presente que a arte pode nos dar: a possibilidade de nos encontrarmos com mais verdade, mais profundidade, mais liberdade.
Se antes eu pintava para revelar imagens, hoje sinto que pinto para acessar estados. E, nesse processo, descubro que a arte não é apenas aquilo que se vê… é aquilo que nos atravessa.