Salon de Printemps 2026, em Paris
Por Ramaya Vallias – Artista Plástico – Realismo Abstrato
Minha participação no Salon de Printemps 2026, em Paris, marca um momento singular no meu percurso artístico. No dia 10 de abril, organizado pela Mombó Art Gallery, passo a integrar uma coletiva internacional com 23 artistas. Essa presença não é apenas geográfica, é simbólica. Levo comigo não só a minha obra, mas uma carga cultural, sensorial e estética que nasce no Brasil e se projeta no mundo. Estar em Paris, cidade que respira história da arte em cada esquina, é inserir minha pintura em um diálogo direto com a tradição e, ao mesmo tempo, com o contemporâneo.
Para essa exposição, apresento a obra “Villa-Lobos”, uma pintura em Realismo Abstrato, em grande escala (180 x 150 cm). Trata-se de um trabalho que não busca retratar o compositor de forma literal, mas capturar sua essência vibracional. A figura emerge da matéria como um acorde em construção, entre camadas densas, gestos livres e tensões cromáticas. O rosto não se fixa, ele pulsa. Há uma instabilidade proposital, como na própria música de Villa-Lobos, onde o erudito e o popular se entrelaçam, criando uma linguagem única, profundamente brasileira.
Curatorialmente, esta obra se constrói como partitura visual. As cores não são apenas cor, são som. Os tons terrosos evocam a raiz, a terra, o Brasil profundo. Os cortes de luz em branco e as explosões de vermelho, amarelo e azul funcionam como notas dissonantes e harmônicas, criando ritmo, pausa e intensidade. As linhas que percorrem a tela lembram fluxos musicais, quase como se a pintura estivesse sendo atravessada por uma melodia invisível. O gesto pictórico aqui não é decorativo, ele é estrutural, ele conduz a experiência.
A brasilidade de Villa-Lobos se manifesta na obra como força e identidade, não como representação folclórica. Está na tensão, na mistura, na liberdade. Está no equilíbrio entre controle e improviso. Ao apresentar essa pintura em Paris, proponho um deslocamento de olhar: um Brasil que não é superfície, mas profundidade. Um Brasil que se expressa com sofisticação, complexidade e potência estética.
Essa exposição representa um avanço importante dentro da minha série Mestres e Influências. É o momento em que esse diálogo com grandes nomes ultrapassa fronteiras físicas e ganha ressonância internacional. Mais do que expor uma obra, é afirmar uma linguagem. É permitir que a matéria fale, que a pintura respire e que, mesmo em silêncio, ela seja ouvida.
Em Paris, talvez não se veja apenas uma imagem. Talvez se escute o Brasil