Paris, Matéria e Brasil: a presença de Villa-Lobos no Salón de Primavera 2026

Entre gesto, cor e identidade, levo ao cenário parisiense uma obra que pulsa brasilidade em escala monumental
 

Por Ramaya Vallias – Artista Plástico – Realismo Abstrato

Paris sempre foi palco de encontros decisivos entre artistas e seus tempos. Em 2026, tenho a honra de integrar o Salón de Primavera – París, uma exposição coletiva internacional que reúne olhares distintos em um mesmo espaço de sensibilidade e linguagem. Estar ali não é apenas ocupar uma parede, mas inserir minha pintura em um território simbólico onde a arte se reinventa continuamente.

Apresento, nessa ocasião, a obra “Villa-Lobos – Artista de Alma Brasileira”, pertencente à série Mestres e Influências. Em grande escala, 1,80 x 1,50, a tela carrega não apenas a imagem, mas a presença. Villa-Lobos não é retratado como figura estática, mas como força em expansão — quase como se sua música atravessasse a matéria pictórica, rompendo limites e reorganizando o espaço ao seu redor.

A construção dessa obra nasce da minha linguagem, o Realismo Abstrato, onde a estrutura reconhecível do retrato convive com a liberdade da tinta. O rosto emerge, mas não se encerra. Ele se dissolve em gestos, camadas e rupturas cromáticas. Tons terrosos, negros profundos e explosões de cor criam uma tensão que remete à própria essência da música brasileira: complexa, visceral, indomável.

Levar Villa-Lobos a Paris é, de certa forma, levar o Brasil em estado sensível. Não como símbolo literal, mas como energia. Existe uma brasilidade que não se explica — ela pulsa. Está na escolha das cores, na densidade da matéria, na imperfeição que revela verdade. Essa obra carrega esse espírito: não busca traduzir, mas fazer sentir.

Dividir esse espaço com artistas de diferentes partes do mundo amplia ainda mais a potência dessa experiência. Cada obra ali é um idioma, e juntos formamos uma conversa silenciosa, porém intensa. Paris, mais uma vez, se torna esse ponto de convergência onde histórias, culturas e gestos se cruzam.

Essa exposição marca um momento importante da minha trajetória. Não como chegada, mas como continuidade. A pintura segue — inquieta, viva, em movimento. E agora, também, atravessando Paris.

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