Quando a pintura me atravessa

Por Ramaya Vallias – Artista Plástico – Realismo Abstrato

 

Existe, sim, uma lógica no que faço. Existe construção, existe realismo, existe domínio. A forma não é acidental, ela é compreendida. O rosto é estruturado, o olhar é pensado, a luz é conduzida. Há um rigor silencioso que sustenta tudo. Mas chega um momento em que essa lógica já cumpriu seu papel… e então algo muda.

É nesse ponto que o abstrato começa a emergir. Não como ausência de razão, mas como expansão dela. Como se a consciência lógica abrisse espaço para um outro tipo de percepção, mais sensível, mais intuitiva. As cores deixam de ser apenas escolhas técnicas e passam a se manifestar como pulsos. O gesto já não responde apenas ao que se vê, mas ao que se sente. E ali, nesse território, eu me encontro.

O corpo deixa de ser limite porque já não existe separação entre quem observa e o que está sendo criado. A mão não hesita, ela flui. O olhar não analisa, ele reconhece. É como se a pintura revelasse algo que sempre esteve ali, mas que só pode aparecer quando o controle cede lugar à confiança. Não é ausência de consciência, é uma consciência ampliada.

E, no fundo, essa conexão não é aleatória. Existe uma origem, uma ordem maior, uma inteligência que organiza tudo. O mesmo princípio que estrutura a vida, que desenha a natureza, que cria harmonia onde parece haver caos. Quando me aproximo desse lugar, não estou fugindo da realidade, estou entrando mais profundamente nela.

E então acontece o encontro.

Eu deixo de apenas pintar…
e me torno cor. 🎨

Instagram: @rvallias

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